sábado, 17 de março de 2012

Beleza Vrs Miséria no Sertão! (A Igreja Precisa Conhecer!)


Nestes últimos dias foi exibido nas duas maiores redes de telecomunicações do pais, reportagens importantíssimas sobre a caatinga na região nordeste. Muita riqueza e paisagens exuberantes que fazem com que os nossos olhos brilhem com tanta beleza, foram mostradas paisagens da Serra das Confusões que fica no extremo sul do estado do Piauí e também Serra da Capivara também no extremo sul do Piauí. Na Serra das Confusões situada na cidade de Caracol PI, percebemos o quanto é difícil se chegar ao local, é sem duvidas um lugar inóspito, mas de rara beleza, onde longos dias foram necessários para mostrar apenas um pouquinho da sua beleza de rochas e mata virgem onde a diversidade de espécies é tamanha, e ao mesmo tempo que toda a beleza estava sendo mostrada eram ratificadas a preocupação para preservação de toda aquela diversidade.
Na Serra da Capivara, vários sítios arqueológicos importantes foram mostrados, animais e uma variedade enorme de bichos que com o belo trabalho de preservação é possível encontrar espécies que poderiam ter sido dizimadas caso o trabalho não fosse tão intensivo na região de São Raimundo Nonato PI, coisa que já não é tão intensiva na região de Caracol que como disse um dos personagens que trabalha na região, é do tamanho da grande São Paulo. Parabenizo o trabalho da pesquisadora Dra. Niede Guidon que a anos trabalha na região e se empenha para isso.
Vimos a beleza dos parques que encantam os nossos olhos e nos animam a ir visitar, porém o que percebi nas duas reportagens foi que o que menos importa (sem tirar a importância anterior) é o homem. Vimos às dificuldades, em uma das reportagens vimos um carro que saiu da estrada e bateu em uma arvore e ainda teve um pneu estourado, na outra emissora uma grande equipe com vários carros tiveram simplesmente nove pneus furados e rasgados na expedição, tudo para se chegar ao local pretendido, e pasmem alem destas Serras e de tanta mata virgem, pessoas moram longe de tudo e de todos. Um casal chamou a minha atenção em uma das reportagens, eles estavam colhendo feijão, em um período que a colheita foi pouca e a preocupação estava estampada nos olhos da jovem senhora, e no povoado onde eles moravam o cardápio diário era feijão cozido com água e sal, e o que me comoveu foi o fato deles declararem que no dia que tem arroz é uma festa, é especial, e outros do povoado deixarem o arroz para ser consumido pelas crianças no final da tarde. Um local onde a energia elétrica não chega e dificilmente vai chegar, longe de tudo e esquecidos de todos, e assim são vários povoados na região sertaneja de nossos estados nordestinos. Na outra região vimos o vaqueiro com seu gibão que os repórteres não sabiam este nome e apenas denominaram como roupa de couro, vimos a preocupação nos olhos daqueles sertanejos que em uma das declarações disseram: “as vezes dói quando entro na mata fechada e espinho arranha o rosto.”
No fim destas reportagens, ninguém lembrava mais dos sertanejos, do casal que colheu pouco e de um povoado inteiro esquecido que comem feijão diariamente porque não tem outra coisa para comer, da crença de um povo que com simpatias acreditam que a chuva vai cair e regar a terra e que a plantação será prospera e ano após ano as coisas parecem que só pioram, mas ainda sim conservam sua fé nos simbolismos de crenças em diversas superstições, um lugar onde não tem rio para pescar e a caça é proibida (e com uma certa razão).  Onde as crianças quando adoecem não tem atendimento medico, e como uma senhora de um dos povoados falou, “quando num vem pra morrer fica bom”.


  Enquanto isso, muitas igrejas luxuosas ostentam seu conforto de apenas estarem bem acomodadas dentro de um templo com ar refrigerado longe do calor do sertão, onde esta distancia parece não preocupar, não que eu ache errado igrejas grandes refrigeradas, mas uma coisa me intriga: Onde esta a igreja diante desta realidade? Um povo esquecido pela sociedade, pode ser esquecido pela igreja? Onde esta a igreja? Ela esta preparada para encarar este tipo de desafio? O que me parece é que deixamos de sentir compaixão pelas vidas, falamos de tantas almas que nos esquecemos das vidas. Quando olho para Jesus, o vejo olhando para uma multidão e sentindo compaixão, vejo Jesus olhando para multidão sentindo amor, vejo Jesus olhando para multidão e alimentando, vejo Jesus andando não só nos templos, mas em cidades e percebo que Ele não fica parado nestas cidades Ele também vai aos povoados pregando o evangelho do reino, levando a boa noticia. A igreja precisa aprender com Jesus, caso ela não tenha aprendido, talvez você não percebeu isto, mas os meus olhos se encheram de lagrimas ao ver tão triste realidade do sertão, me emocionei e ao mesmo tempo me envergonhei por esta fazendo tão pouco para mudar esta realidade, é por isso que chamo você para juntos entrarmos nesta mata espinhosa da caatinga do sertão e mesmo que nosso rosto venha sair ferido pelos espinhos de uma terra distante, inóspita tenhamos a satisfação que a mão do Senhor esta conosco. Este é nosso desafio! (Mt 9.35-36/Mt 14.14-21/At 11.21)

                                                                                                           Cleber Campos

5 comentários:

  1. Muito bom Cléber!!!o parabéns por esse texto

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  2. Obrigado Charles, é onde meu coração esta, enquanto muitos querem vim para os centros urbanos, o meu desejo é alcançar a zona rural, o Sertão

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  3. Estava fazendo um trabalho da faculdade e vim parar aqui, sou evangélico, achei lindo seu trabalho, logo abaixo da sua foto com sua família a frase postada me chamou atenção: Deus nos ungiu para pregar aos sertanejos! Hoje, pouquíssimos tem a mesma coragem que você tem, e sou grato a Deus por despertar soldados com essa visão. Deus abençoe sua vida, seu ministério, sua família. Abraço! E continua espalhado o evangelho de Jesus, a recompensa vem dEle. (;

    Anderson Oliveira

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